O ex-presidente e líder histórico de Cuba Fidel Castro completou nesta terça-feira 87 anos de forma discreta, fragilizado fisicamente e isolado na casa onde vive cercado de seguranças nos arredores de Havana, a capital do país, em contraste com os grandes banhos de multidão e os discursos inflamados de horas que eram uma das suas marcas registadas. Ninguém sabe ao certo como ele está e as opiniões divergem diametralmente se são emitidas por simpatizantes ou inimigos, mas as suas aparições públicas são cada vez mais escassas e o facto de não estar prevista nenhuma celebração oficial da data nem que Fidel se deixe ver dão uma ideia do quadro negativo.
Este ano, Fidel apareceu em público apenas três vezes, em janeiro, ao votar para eleger o novo parlamento, para o qual foi reeleito, em fevereiro, ao tomar posse como deputado, e há algumas semanas, quando inaugurou uma escola perto da propriedade onde vive. O seu estado de debilidade física ficou evidente, aparecendo muito curvado e caminhando a custo com o auxílio de uma bengala.
Aliados como o presidente do Uruguai, José Mujica, que o visitou há três semanas, afirmam que Fidel, apesar da fragilidade física, mantém total lucidez e agilidade mental e continua a ser um “formador de propostas” para Cuba. Mas adversários, como o jornalista e escritor cubano exilado nos EUA Carlos Alberto Montaner afirmam que o ex-ditador da ilha já tem poucos momentos de lucidez e não manda mais nada no país, só atrapalha.
“Fidel já não manda e a sua decrepitude tem brilhos cada vez menos frequentes de lucidez, mas a sua mera existência é um travão às reformas urgentes que o país necessita", declarou Montaner à Agência EFE, ao falar sobre o atual momento de tímidas reformas económicas e políticas na ilha.
Desde que Fidel se afastou do poder, em 31 de julho de 2006, por motivos de saúde e passou o comando ao irmão mais novo, Raul Castro, de 82 anos, Cuba iniciou mudanças às quais o ex-líder sempre se opôs, mas elas são lentas e parciais. Agora, cidadãos cubanos já podem deixar o país sem necessidade de visto, mas isso não se aplica a todos, pois dissidentes, desportistas de alto padrão e militares, entre outros, continuam a necessitar de autorização do governo, da mesma forma que a autorização para os cidadãos saírem parcialmente da tutela do estado e criarem o seu próprio negócio até agora atingiu apenas meio milhão de cubanos.

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